Em Florianópolis, casa de luxo valoriza mais de R$ 1 milhão ao ano

Em 5 anos, média do m² na cidade passa de R$ 3 mil para R$ 5,5 mil. Dificuldade em construir na ilha faz preço dos imóveis disparar.

Fonte: Globo.com

Até o mês passado, o apartamento ideal para Álvaro Souto e sua família tinha dois quartos e ficava no Centro de Florianópolis (SC). Quando comprou o imóvel, em 2005, ele desembolsou R$ 120 mil. Sete anos depois, com a notícia da chegada da segunda filha, um imóvel maior tornou-se necessidade: um espaço com pelo menos 100 m² de área útil, três quartos, dependência de empregada, duas garagens, infraestrutura para crianças e boa localização. O apartamento da família foi colocado à venda por R$ 350 mil e vendido em 20 dias, com uma valorização de quase 200%. O novo imóvel, no entanto, ainda não foi encontrado a um preço acessível.

De acordo com Hélio Cesar Bairros, presidente da Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) da Grande Florianópolis, as belezas naturais e a infraestrutura da região, somadas à dificuldade de construir, sobretudo na ilha, faz com que os imóveis estejam entre os mais caros do país, com uma valorização média anual de 15% a 20%. Em 2007, a média do m² ficava em R$ 3 mil. Atualmente, o metro quadrado na capital custa cerca de R$ 5,5 mil.

“A cidade possui uma restrição de terrenos por dois motivos: a própria característica geográfica e as áreas de preservação permanente, que restringem a expansão urbana. Assim, a grande procura por imóveis bem localizados leva a um aumento natural nos seus preços”, afirma o presidente.

Em bairros mais afastados do Centro da cidade, como Ingleses e Rio Tavares, o m² pode ser encontrado por R$ 2,8 mil. Em contrapartida, na Avenida Beira-Mar Norte, pela localização e falta de espaço para construir novos empreendimentos, o m² chega a custar R$ 7 mil.

Preço do m² por região em Florianópolis
Jurerê Internacional     de R$ 7 mil a R$ 14,5 mil
Beira-Mar Norte     de R$ 6 mil a R$ 7 mil
Agronômica, Centro, João Paulo e Parque São Jorge     de R$ 5 mil a R$ 6 mil
Campeche, Córrego Grande, Itacorubi, Lagoa da Conceição e Trindade     de R$ 5 mil a R$ 6 mil
Canasvieiras, Coqueiros e Cachoeira do Bom Jesus     de R$ 3,5 mil a R$ 4 mil
Ingleses, Rio Tavares e Bom Abrigo     de R$ 2,8 mil a R$ 3,5 mil

Fonte: Sinduscon

Em Jurerê Internacional, o bairro mais caro de Florianópolis, o preço por m² varia de R$ 7 mil a R$ 14,5 mil, segundo o Sinduscon. De acordo com Plínio Cardozo, da Jurerê Class Imóveis, a valorização anual no bairro é de 25%. Uma das casas mais caras à venda em sua imobiliária custa R$ 13 milhões. O imóvel, de 1,1 mil metros quadrados de área construída, piscina, churrasqueira e acabamento de alto padrão, custava cerca de R$ 5 milhões há cinco anos - uma valorização de mais de R$ 1 milhão por ano.

No bairro, não faltam opções de luxo. Uma das residências, que sai por R$ 10,9 milhões, tem até elevador. O imóvel conta com oito banheiros, sete quartos, além de apartamento de hóspedes com dois dormitórios.
Casa à venda por R$ 13 milhões em Jurerê Internacional (Foto: Divulgação/Jurerê Class)Casa à venda por R$ 13 milhões em Jurerê Internacional (Foto: Divulgação/Jurerê Class)


Os imóveis de alto padrão são os principais responsáveis pela elevação dos preços, segundo o presidente da Sinduscon. Hélio Bairros diz que a valorização é verificada principalmente nos imóveis das classes A e B, devido à localização privilegiada e itens específicos de acabamento, que se tornaram mais caros recentemente. Na imobiliária Mar de Jurerê, a casa mais cara à venda custa R$ 16 milhões - R$ 5 milhões a mais que em 2007.

Busca pelo imóvel
Para Álvaro Souto, a principal dificuldade para encontrar um novo imóvel não é a falta de oferta, mas a especulação, que deixa os valores acima do preço de mercado. "Os apartamentos de três quartos são pequenos, dificilmente têm duas garagens, além da infraestrutura e localização de que preciso. Quando têm, como algumas opções que encontrei no Centro, o valor dos imóveis chega a R$ 1 milhão.”

A solução foi procurar por regiões relativamente próximas ao Centro, como Itacorubi, Parque São Jorge e João Paulo, cujo preço do m² é de cerca de R$ 5,5 mil. Para outros, a saída encontrada é buscar imóveis em cidades próximas, como Palhoça. Segundo Hélio Bairros, por causa de incentivos públicos com obras de infraestrutura, muitas empresas se transferiram para a região.

Bairros acredita que o setor não vai parar de crescer, embora o momento seja de ajustes. “Os maiores desafios da construção civil continuam sendo a escassez de terrenos e mão de obra qualificada, a burocracia e a alta carga tributária. Para evitar a queda de preços nos imóveis, uma tendência é a redução de lançamentos e a venda dos apartamentos já prontos. Mesmo assim, a perspectiva é positiva. Quem escolhe um imóvel, continua fazendo um excelente negócio”, diz.

Enquanto isso, Álvaro e a família continuam a busca pelo apartamento ideal, mas sem pressa. “Acredito que vou encontrar a melhor opção, que reúna o que procuramos e se encaixe em nosso orçamento.”

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