Umuarama: Casa Santa Catarina, ícone do comércio, está à venda!

Em 1958, ciclo da efervescente epopéia de abertura do território polarizado por Umuarama, chegavam a Umuarama os irmãos Paulino Fontana e José Fontana e o amigo Sylvio Puntel, catarinenses vindos de Criciúma, para dar início a um empreendimento comercial, batizado de Casa Santa Catarina em homenagem à sua terra natal.
A construção de um prédio, ocupando três terrenos totalizando 1.600 metros quadrados, durou quase um ano e, ao seu final, com a saída de seus dois sócios, o negócio foi levado à frente por Paulino e sua eterna companheira, dona Diamantina. Na época, em que todas as primeiras construções eram pequenas e de madeira, a Casa Santa Catarina surgiu imponente, única erguida em concreto, e situada numa área em que ainda predominava a mata. Quando começou a funcionar, era o único estabelecimento comercial do tipo armazém de secos e molhados situado na outra extremidade da cidade recém-fundada, uma vez que o centro antigo gravitava em torno do primeiro ponto de ônibus (atual Praça Arthur Thomas). Ao longo da Avenida Paraná havia raríssimas edificações e, no alto, a Casa Santa Catarina se erguia esplêndida e espaçosa com seus dois pavimentos pintados de branco, na paisagem tendo como cenário de fundo a floresta ainda intocada.
Naqueles tempos naquela região só havia um estradão que seguia rumo a Xambrê (atual Avenida Brasil) e, em frente à Santa Catarina estava uma reserva de árvores altas, então chamada de “Praça das Perobas” (agora Praça Santos Dumont).
A Família Fontana, é importante frisar, quando chegou a Umuarama, no crepúsculo da década de 1950, trouxe recursos para investir alto no negócio que estava abrindo aqui, prova disso foi a construção de um estabelecimento daquele tamanho, portentoso até para os dias de hoje. Em Santa Catarina e em outras localidades do Paraná, como Londrina, Maringá e Foz do Iguaçu, o grupo já tinha outras empresas bem sucedidas. Mas, chegou aqui vislumbrando a nova fronteira agrícola que estava surgindo, focada principalmente na cafeicultura.
Tanto é que seu público alvo era justamente a população que trabalhava e morava nas lavouras, que escolheu a Casa Santa Catarina, pela imensa variedade de produtos e preços que oferecia (um verdadeiro hipermercado naquele tempo), passando a ser tradição e endereço preferido dos milhares de clientes (no início, Umuarama chegou a ter mais de 80 mil habitantes na zona rural e apenas 30 mil na cidade). Mas, a repercussão saiu ainda melhor do que a planejada: os consumidores da urbe também viram nesse armazém de secos e molhados uma verdadeira fonte para a compra de tudo, desde alimentícios, ferramentas, tecidos, utensílios domésticos até remédios (anexo à casa comercial foi instalada a Farmácia São Caetano, também de propriedade dos Fontana).
Prova do sucesso indiscutível do empreendimento é que a Casa Santa Catarina continua até hoje com uma clientela fiel e um movimento de vendas estável, mesmo agora com a existência de uma forte concorrência em todos os segmentos em que ela atua.
Mas, desde a fundação da empresa até este raiar de 2012 já passou 56 anos e, mudam-se os tempos, mudam-se as vontades, e a matriarca Diamantina Fontana, 94 anos, viúva do pioneiro Paulino Fontana, em comum acordo com os seus quatro filhos Roberto, Rovaldo, Renato e Remmy, decidiu que chegou a hora de descansar e de colocar à venda esse ícone do comércio de Umuarama. E o imóvel, localizado na área mais nobre da cidade, reconhecidamente uma jóia do mercado imobiliária nesta fase áurea, tem até preço: R$ 12 milhões. Nem um centavo a mais, nem um centavo a menos!
E vale muito mais. Segundo a Coluna ITALO apurou junto a profissionais experientes do mercado, um terreno localizado ao redor da Praça Santos Dumont chega a valer R$ 5 milhões! Então, vai ter fila de investidores disputado o negócio, pois não se trata apenas de um terreno, mas de três numa peça só, ligada da Avenida Brasil até a Avenida Rio Branco, apropriado para qualquer tipo de grande projeto comercial.
Segundo dona Diamantina Fontana confidenciou à Coluna ITALO com absoluta exclusividade e em primeira mão, a decisão de vender a Casa Santa Catarina vem sendo lentamente amadurecida há meses. E foi penosa, pois ela tem verdadeira paixão pela empresa, afinal foi mais de meio século construindo, administrando e trabalhando duro, praticamente vivendo os dias inteiros dentro do estabelecimento.
Seus filhos se criaram ali, os Fontana fizeram grandes amizades e conquistaram invejável prestígio na comunidade pela forma impecável com que conduziram seus negócios, pela sua convivência na sociedade e, principalmente, pela sua imparcialidade na política local (nunca se filiaram a nenhum grupo partidário e nem demonstraram interesses por cargos eletivos, se bem que podiam, pela sua popularidade e poder econômico).
Dona Diamantina frisou que seus filhos também desejam descansar e que seus netos, todos profissionais bem sucedidos que vivem em
capitais brasileiras e até no exterior, não têm interesse em assumir a administração da empresa a partir de agora. Portanto, a decisão final e absolutamente definitiva foi vender seu tradicional estabelecimento comercial.
A mesma decisão a Família Fontana tomou com relação a dois outros imóveis que possui na mesma Avenida Brasil, estes na esquina com a Rua Ney Braga, também no coração de Umuarama, alugados para uma agência do banco Santander. Ambos somam mais de 1.000 metros quadrados.
Após a entrevista com este repórter, Dona Diamantina seguiu em temporada de férias para o litoral catarinense e interior do Rio Grande do Sul, acompanhada do seu filho Rovaldo Fontana. Foram passear, desfrutando das maravilhas das paisagens européias de lá para voltar e ouvir serenamente as propostas, que certamente serão muitas, sobre a negociação desse patrimônio. (ITALO FÁBIO CASCIOLA)

Fonte

mod_vvisit_counterVisitantes de ontem:6902
mod_vvisit_counterSemana passada:34503
mod_vvisit_counterMês passado:122848

BUSQUE SEU IMÓVEL

Vista para o mar
Próx. UFSC / UDESC

BUSQUE CÓD. OU TEXTO